O meu aniversário foi celebrado em tempo de confinamento, por causa da pandemia, numa altura em que estava interdita a circulação entre concelhos. Por esta razão, foi um aniversário diferente, sem a família e os amigos, mas muito especial.
Foi especial, na medida em que o dia foi planeado pelo meu marido Santiago ao pormenor. Na véspera, enviou-me um convite com o programa. Estava lindo!
O dia do meu aniversário começou com uma mesa de pequeno-almoço fantástica, que me fez recordar os tempos de infância e, simultaneamente, os pequenos-almoços dos hotéis. À hora de almoço, uma florista veio entregar-me um ramo de flores muito bonito – uma surpresa preparada pela minha mãe. Como o dia estava luminoso, fomos dar um passeio. O telefonema do meu sobrinho mais novo foi muito fofo e recebi uma mensagem muito bonita da Raquel. Vimos um filme enroscados no sofá, que tivemos de rever porque, entretanto, adormecemos.
Deste aniversário, resultou a minha apreciação por panquecas. É um alimento que não consumia, por nenhuma razão em particular, mas fez parte do pequeno-almoço e fiquei fã. Por isso, é algo que vamos passar a fazer com mais frequência.
O dia foi planeado pelo meu marido Santiago ao pormenor.
Também tomámos a decisão de ser o Santiago a preparar o almoço e o jantar, um fim de semana por mês, porque ele cozinha muito bem e faz uns pratos diferentes, e assim tenho folga da cozinha.
Depois do jantar, a minha mãe ligou-me, muito emotiva, a dizer que a minha irmã me tinha dado uma prenda. A minha mãe abriu um dos roupeiros e caiu-lhe um livro em cima. Uns dias antes, ela tinha estado a arrumar o roupeiro e nunca encontrou o livro. Entretanto, já tinha aberto o roupeiro antes desta noite e também nada de livro.
O livro chama-se “Rosa, minha irmã Rosa” e foi-me oferecido pela minha irmã, quando eu fiz 16 anos. Tem a seguinte dedicatória “Este livro é dedicado a ti, Rosa, minha irmã Rosa!! Com um grande beijo pelo teu 16.º Aniversário” e assinou.
Fiquei muito emocionada. O livro está impecável, como novo. Assim que tive a oportunidade de estar com a minha mãe, trouxe o livro e, desde então, está sempre comigo.
Deliciei-me a ler o livro e acho que percebi o motivo de a minha irmã mo ter oferecido, para além de Rosa fazer parte do meu nome.
A minha mãe abriu um dos roupeiros e caiu-lhe um livro em cima.
O livro conta a história de Mariana, filha única, que tem dez anos quando a sua irmã Rosa nasce e passa a ter de partilhar tudo com a irmã: o quarto, o tempo dos pais, o afeto da família e, de repente, deixa de ser única. Mariana sentiu “desapontamento” perante o nascimento da irmã, pois queria permanecer filha única.
À medida que avançamos na leitura, conhecemos as experiências, os sentimentos e os pensamentos de Mariana perante a entrada de Rosa na vida da família, das mudanças que ocorrem e da forma como Mariana, a pouco e pouco, foi aceitando Rosa como fazendo parte da família e aprendendo a gostar da irmã mais nova.
A certa altura, pode ler-se o seguinte: “Mas se há crianças a nascer todos os dias é porque devem servir para alguma coisa. Quanto mais não seja para a gente gostar delas. Gostar só por gostar. Por isso acho que é tempo de eu ir aprendendo a gostar da Rosa. E de matemática.”
A viragem do sentimento de Mariana em relação à sua irmã dá-se quando esta fica gravemente doente, com uma pneumonia, e enquanto está internada no Hospital, Mariana confessa que: “E agora que ela cá não está é que eu vejo como ela, afinal, enchia esta casa toda, e como isso era bom.”
A partir deste momento, Rosa deixa de ser uma “intrusa”. Mariana cria uma ligação com a sua irmã, aceita-a como fazendo parte da família e, especialmente, como fazendo parte da sua vida.
Apesar deste livro ser já muito antigo, recomendo a sua leitura a todos os pais que estão prestes a ter um segundo filho. É um livro delicioso, divertido e, ao mesmo tempo, profundo.
O meu aniversário não podia ter terminado de melhor forma. Obrigada, mana!
E obrigada a todos os que tornaram este dia especial, em particular, ao Santiago.



Imagem de Matthew Henry via Unsplash
