Julho sem plástico

Aceite o desafio e faça a diferença

“Os dados nacionais referentes a 2018 demonstram que em Portugal apenas 12 % dos plásticos que compõem os resíduos urbanos foram para reciclagem.” Estes dados assustadores são revelados pela ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, que alerta para o facto de a reciclagem não ser ainda uma solução suficiente para resolver o problema da grande produção de plásticos no nosso quotidiano.

A 3 de julho celebra-se o Dia Internacional Sem Sacos de Plástico. Esta data tornou-se uma referência e o mês de julho é internacionalmente considerado o mês sem plástico. 

Há uma década que este mês se tornou um desafio global para conservar o planeta. Este movimento conta com 250 milhões de pessoas de 177 países e o seu objetivo é o de alertar para as consequências graves da produção e do consumo excessivo de plástico a nível mundial, propondo alternativas para minorar este problema ambiental muito sério. 

As associações ambientalistas têm chamado a atenção para as ameaças que os oceanos têm vindo a sofrer com a poluição por plásticos, mas que veio agravar-se com a pandemia por COVID-19, devido ao descarte de equipamentos de proteção individual, nomeadamente máscaras e luvas, que têm como destino final o fundo dos mares e dos oceanos.

A associação ambientalista WWF lançou uma campanha em Espanha pedindo civismo. Com a campanha “Apanha a Luva”, a organização apela para a responsabilidade dos cidadãos para descartarem as luvas e as máscaras nos contentores do lixo para proteger a saúde pública e evitar que os rios e os mares do planeta fiquem ainda mais poluídos. Cada máscara cirúrgica pode demorar 400 anos a degradar-se, considerando a associação tratar-se de um problema “muito preocupante”. A WWF refere ainda que todos os anos, estima-se que cerca de 100 mil animais marinhos morram presos, asfixiados ou envenenados com resíduos plásticos. Por estas razões, pedem aos governos um plano urgente de gestão dos resíduos provocados pela pandemia.

A Direção-Geral da Saúde explicou que as máscaras descartáveis, usadas devido à COVID-19, devem ser colocadas no lixo doméstico e não na reciclagem ou na via pública, enquanto as máscaras comunitárias devem ser higienizadas após utilização.

“Independentemente de se usarem descartáveis ou não, há regras que se devem cumprir, e uma delas é a proteção do ambiente e, portanto, uma máscara descartável deve ir para o chamado lixo doméstico, não deve ir para o ecoponto, e nunca deve ser abandonada na via pública”, referiu Graça Freitas, diretora-geral da Saúde.

Com o intuito de promover um estilo de vida mais sustentável e auxiliar os cidadãos a eliminarem o descartável no seu dia a dia, a associação ambientalista ZERO disponibiliza a cada dia deste mês um conselho/desafio. Através da página do Facebook da ZERO fique a conhecer os 31 conselhos para uma vida com menos descartável. No site da ZERO estão já disponíveis 10 propostas que vão tornar o seu quotidiano com menos plástico.

Fiquei a pensar de que forma estou a contribuir no sentido positivo para o planeta e de forma posso melhorar. 

Os seguintes comportamentos já fazem parte do meu dia a dia:

  • Faço a separação dos resíduos: papel, plástico e metal, vidro, pilhas, rolhas de cortiça e indiferenciados. Os pequenos eletrodomésticos e material informático entrego em lojas de eletrónica.
  • Não deito lixo para o chão.
  • Por causa da COVID-19, utilizo máscaras reutilizáveis, que lavo após cada utilização. Não uso luvas, mas dou preferência à lavagem das mãos e, em alternativa, ando sempre com desinfetante das mãos para colocar quando vou às compras.
  • Na limpeza da minha casa, uso luvas reutilizáveis.
  • Uso garrafas de água reutilizáveis.
  • Tenho sempre sacos reutilizáveis no carro, que uso quando vou às compras no supermercado.
  • Uso discos reutilizáveis para me desmaquilhar.
  • Uso os sacos plásticos para colocar o lixo, embrulhar objetos para envio por correio e como enchimento das malas.
  • Para o meu trabalho levo, numa garrafa reutilizável, chá ou água aromatizada para acompanhar a refeição.
  • Para o meu trabalho levo leite para beber ao pequeno-almoço e também uso uma garrafa reutilizável.
  • Bebo água da torneira alternada com água do garrafão e uso os garrafões para armazenar a água do secador da roupa que uso para passar a ferro e para armazenar água do banho ou da chuva que depois guardo para os dias em que pode haver falta de água por alguma avaria, por exemplo.

Comprometo-me a introduzir as seguintes alterações:

  •  Usar sacos reutilizáveis em todas as minhas compras, e não apenas quando vou ao supermercado.
  • Deixar de usar os sacos plástico para comprar a fruta e os legumes que não estão embalados. Existem sacos reutilizáveis para esse fim à venda nos supermercados.
  • No meu trabalho compro o pão para comer ao pequeno-almoço e colocam sempre num saco de plástico. Vou passar a levar papel do rolo de cozinha, onde posso embrulhar o pão e depois usá-lo para agarrar o pão enquanto como e para limpar a boca.
  • Quando recorrer ao take away e for eu a buscar a comida, vou levar os meus recipientes.

O Dia Internacional Sem Sacos de Plástico apela à mudança de comportamento no sentido de todos nós adotarmos um estilo de vida mais sustentável. A mudança tem de começar em cada um de nós e de darmos o exemplo, independentemente dos hábitos dos outros que nos rodeiam. Eu faço reciclagem e preocupo-me com o ambiente, mas cresci numa família que não me sensibilizou para a importância de separarmos os resíduos e preservarmos o ambiente. Por isso, preocupemo-nos com o que fazemos e façamos nós a diferença. 

O planeta ama-nos e tem-nos dado tudo o que precisamos para viver em abundância. Infelizmente, o ser humano não tem cuidado bem do planeta que o acolheu e tem permitido a sua subsistência. À medida que as gerações avançam no tempo, seria de esperar uma maior sensibilidade e inteligência para determinadas questões, como é o ambiente, tendo em conta o nível de conhecimento que atualmente possuímos. 

Tratar bem o planeta, a Natureza e os animais é um dever do ser humano. Não podemos achar que a mãe Terra vai tolerar para sempre o desrespeito do ser humano, que a tem sufocado com toneladas de lixo, destruído ecossistemas e esgotado recursos. 

Informe-se devidamente para tomar decisões acertadas. Conheça as diferentes formas de reutilizar sacos plásticos. Informe-se sobre a separação dos resíduos. Se quiser ser mais proativo, junte-se ao movimento do Plastic Free July.

Faça a diferença. Comece por mudar um comportamento no mês de julho em benefício da mãe Terra. Integre a sustentabilidade nas suas ações diárias.


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Imagem de Brian Yurasits via Unsplash

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