Novo coronavírus ameaça humanidade e protege o planeta

A pandemia provocada pelo novo coronavírus tem reduzido drasticamente os níveis de poluição. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a redução da atividade económica e da mobilidade das pessoas por causa da pandemia da COVID-19 reduziu de forma significativa as emissões de dióxido de azoto, que em Lisboa chegaram aos 80 % e nalguns locais do Porto aos 60 %.

As atividades humanas estão a destruir o planeta.

Em Portugal, os principais responsáveis pela poluição do ar são a agropecuária, a indústria e o tráfego.

As atividades humanas estão a destruir o planeta. Aumentam os gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono e o metano, retendo o calor na Terra. O aumento do efeito de estufa eleva a temperatura do planeta, conduzindo ao aquecimento global. O aquecimento global da Terra tem consequências, nomeadamente: a extinção de espécies animais, o aumento do nível dos oceanos, a escassez de água potável e o maior número de catástrofes naturais, como tempestades, secas e ondas de calor.

Hoje, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) referiu que o período entre 2015 e 2019 foi o mais quente desde que há registos. A temperatura média mundial, que antes da era industrial era de 14,4 graus, subiu para 15,5 graus. Segundo os números da OMM, duas décimas deste aumento verificaram-se desde 2010. Nos próximos cinco anos, os modelos de previsão climática mostram que se vai atingir uma nova temperatura média global recorde.

De acordo com a OMM, nos cinco anos mais recentes, os níveis de dióxido de carbono e outros gases poluentes na atmosfera, cresceram a um ritmo 18% superior do que se verificou nos cinco anos anteriores.

A OMM alertou que os países em desenvolvimento são os mais vulneráveis às consequências das alterações climáticas, como os fenómenos meteorológicos extremos.

No dia em que a OMM assinala o 50.º Dia da Terra, o secretário-geral da organização, Petteri Taalas, em conferência de imprensa virtual a partir de Genebra, refere que a mesma “determinação e unidade” demonstrada a nível mundial no combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus precisa de orientar a luta contra as alterações climáticas, cujos impactos não vão passar no espaço de alguns anos, como poderá acontecer com a COVID-19.

Enquanto a humanidade luta contra um ser microscópico, o planeta respira melhor.

Acrescentou, ainda, que “a COVID-19 provocou uma grave crise económica e sanitária a nível mundial. No entanto, se não se combaterem as alterações climáticas, a saúde dos humanos, dos ecossistemas e das economias estará ameaçada durante séculos”.

“Em Portugal, a poluição do ar causa cerca de 6000 mortes por ano, agrava problemas respiratórios e cardiovasculares, é responsável por dias de trabalho perdidos e contribui para elevados custos de saúde com grupos vulneráveis, como crianças, asmáticos e idosos”, destacou a APA no Dia Nacional do Ar, assinalado a 12 de abril. 

Desde dezembro de 2019 e até ao momento, a pandemia causada pelo novo coronavírus já ultrapassou os 157 mil mortos e infetou quase 2,3 milhões de pessoas em todo o mundo.

Enquanto a humanidade luta contra um ser microscópico, o planeta respira melhor.

O ritmo acelerado do nosso mundo foi subitamente quebrado pela pandemia da COVID-19, que deixou milhões de pessoas fechadas em casa e suspensas muitas atividades humanas.

“As atividades humanas, sobretudo o transporte, contribuem muito para a poluição atmosférica, prejudicam-nos a saúde, e se conseguirmos reduzi-las, podemos também ter uma melhor qualidade do ar”, alerta Zoltan Massay-Kosubek, da Aliança Europeia de Saúde Pública.

A melhoria da qualidade do ar verificada em Lisboa e no Porto, também se verificou noutras cidades internacionais, como Paris, Bruxelas, Madrid e Milão. A quebra acentuada das emissões de dióxido de carbono na China fez com que as nuvens tóxicas da poluição revelassem o azul do céu. Em Veneza, os canais passaram a revelar o que se escondia nas águas turvas. Na Turquia, os golfinhos voltaram em força. Pela primeira vez em décadas, a população de Punjab, no norte da Índia, conseguiu avistar a cordilheira dos Himalaias.

O ritmo acelerado do nosso mundo foi subitamente quebrado pela pandemia da COVID-19, que deixou milhões de pessoas fechadas em casa e suspensas muitas atividades humanas.

Como resultado da redução de emissão de gases nocivos e com as atividades humanas desaceleradas por causa da COVID-19, o planeta respira melhor, e nós também. É como se a Terra estivesse a sufocar com tudo o que a humanidade tem feito e esteja a aproveitar a situação de confinamento gerada pelo novo coronavírus para se regenerar. 

Somos hóspedes neste planeta que nos acolheu. A natureza tem fornecido todos os recursos que precisamos para viver. Devemos estar gratos por esta dádiva imensa. Não podemos pensar que somos donos do planeta. E talvez seja este o problema, pensarmos que podemos explorar a natureza até à exaustão. Temos destruído florestas e extinguido espécies animais só para se construir mais e mais empreendimentos. Temos enchido o planeta com tanto desperdício. Atualmente, vêem-se tantas máscaras e luvas no chão. Por que razão não há-de o planeta virar-se contra a humanidade? Talvez o planeta esteja farto de nós e sinta uma necessidade urgente de respirar e de viver.

Está ao nosso alcance adotarmos medidas no nosso quotidiano que reduzam o desperdício.

Hoje, celebra-se o Dia Mundial da Terra. Devemos aproveitar este dia para refletirmos e mudarmos a nossa vida e os nossos comportamentos. O momento que o mundo está a passar com o novo coronavírus impele à transformação, à mudança. A vida não pode continuar a ser como era. Precisamos de desacelerar o nosso ritmo, sermos humildes, levarmos uma vida mais simples e respeitarmos o planeta que nos tem acolhido.

Todos nós devemos assumir o compromisso na preservação do ambiente e na sustentabilidade da Terra. Está ao nosso alcance adotarmos medidas no nosso quotidiano que reduzam o desperdício.

A responsável do programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para o ambiente, Inger Andersen, refere que “o mundo inteiro está a aperceber-se da importância do nosso ambiente” e diz que a natureza está a enviar uma mensagem ao mundo. Só o tempo dirá se o mundo percebeu a mensagem.



Conversas Interiores - Signature - 800x290
Conversas Interiores - Icon - 25x25

Imagens de Nick Tsinonis via Unsplash e de Paras पारस ਪਾਰਸ via Twitter

Deixe um comentário